RUA AZUZA,N° 312
Los
Angeles
Em
1905, William J. Seymour,
43 anos, filho de ex-escravos, foi um estudante do notório pregador pentecostal Charles Parham e pastor interino de
uma pequena igreja de santidade em Houston, Texas. Neely Terry, uma mulher
afro-americana que participou de uma pequena igreja liderada por Julia Hutchins
em Los Angeles, fez uma viagem para visitar alguns familiares em Houston ao
final de 1905. Estando em Houston, ela visitou a igreja de Seymour, onde ele
pregou que a evidência do batismo no
Espírito Santo era o falar em línguas, embora ele mesmo não
houvesse experimentado essa experiência,jerry ficou impressionada com o seu
caráter e mensagem. De volta em sua casa na Califórnia, Terry sugeriu que
Seymour fosse convidado para falar na igreja local Seymour recebeu e aceitou o
convite em fevereiro de 1906, ele recebeu ajuda financeira e a bênção de Parham
por sua visita prevista em um mês.
Seymour
chegou a Los Angeles em 22 de fevereiro de 1906, e por dois dias pregou na
igreja de Julia Hutchins na esquina da rua Nona com avenida Santa fé. Durante
seu primeiro sermão, ele pregou que falar em línguas era a evidência bíblica do
no batismo no Espírito Santo No
domingo seguinte, 4 de março, ele voltou a igreja e soube que Hutchins fechara
a porta com um cadeado Os anciãos
da igreja não aceitaram o ensinamento de Seymour, principalmente porque ele não
havia experimentado nenhuma bênção de que estava pregando. A condenação de sua
mensagem também veio da Associação da Igreja de Santidade do Sul da Califórnia,
com a qual a igreja estava fialiada. Entretanto, nem todos os membros da igreja
de Hutchins rejeitaram o ensinamento de Seymour. Ele foi convidado para se
hospedar na casa de um membro da congregação, Edward S. Lee, e ali ele começou
a fazer estudos bíblicos e reuniões
de oração.
Rua
Bonnie Brae Norte
Seymour
e o seu pequeno grupo de novos seguidores se mudaram para a casa de Richard e
Ruth Asberry, na rua Bonnie Brae Norte 214. Famílias brancas das igrejas de santidade
locais também começaram a participar. O grupo se reunia periodicamente e orava
pelo batismo no Espírito Santo. Em 9 de abril de 1906, depois de cinco semanas
de pregação e de oração de Seymour, ao terceiro dia de
um jejum de 10 diasEdward S. Lee falou em línguas pela primeira vez. Em
outra reunião, Seymour compartilhou o testemunho de Lee e pregou um sermão
em Atos
2:4-4 e também outras seis pessoas começaram a falar em
línguas, incluindo Jennie Moore, que mais tarde se tornaria a esposa de
SeymourAlguns dias depois, em 12 de abril, Seymour falou em línguas pela
primeira vez, depois de orar toda a noite.
Notícias
dos acontecimentos na rua Bonnie Brae Norte rapidamente circularam entre os
afroamericanos, latinos e brancos residentes da cidade, e durante várias
noites, muitos oradores pregariam para a multidão de curiosos e espectadores
interessados da varanda da casa dos Asberry. Membros do público incluíam
pessoas de um amplo aspecto de níveis de renda e formação religiosa. Hutchins
acabou falando em línguas quando toda a sua congregação começou a frequentar as
reuniões. Logo a multidão se tornou muito grande e todos estavam falando em
línguas, gritando, cantando e gemendo. Finalmente, a varanda caiu, forçando o
grupo a buscar um novo lugar de reunião. Um morador do bairro descreveu os
acontecimentos na Bonnie Brae Norte 214 com as seguintes palavras:
Rua Azusa
O grupo da rua Bonnie Brae acabou encontrando um edifício disponível no número 312 da rua Azusa, que tinha sido uma Igreja Episcopal Metodista Africana no que era então uma parte do gueto negro da cidade. O aluguel era de US$ 8,00 por mes. Um periódico se referiu a construção do centro de Los Angeles como um "barraco capenga." Desde que a igreja saiu, o edifício tinha servido como casa de atacado, um depósito, uma madereira, um curral de gado, uma loja de lápides, e havia sido usada mais recentemente como um estábulo com quartos para alugar no andar de cima. Era um edifício pequeno, retangular de teto plano, de aproximadamente 18 m de largura e 12 m de comprimento, em sua totalidade de 446,52 m², coberta com ripas caiadas. O único sinal de que fora uma casa de Deus estava numa janela de estilo gótico sobre a entrada principal.
Sobras
de madeira e gesso estavam espalhados por todos os lados, o local parecia um
galpão no andar térreo. Contudo, o local foi averiguado e limpado para a
preparação dos serviços. Eles realizaram sua primeira reunião em 14 de Abril de
1906. Os serviços eclesiásticos se realizaram no primeiro andar, onde os
bancos foram colocados em um padrão retangular. Alguns dos bancos eram
simplesmente pranchas colocadas em cima de barris vazios Não havia nenhuma
plataforma elevada, pois o teto tinha apenas dois metros de altura.. Inicialmente,
não havia púlpito. Frank Bartleman, um dos primeiros participantes do
avivamento, recordou que "o irmão Seymour normalmente assentava-se atrás
dois caixas de sapato vazias, uma em cima da outra. Ele geralmente mantinha a
cabeça concentrada durante a reunião, em oração. Não havia orgulho lá.... Em um
prédio velho, com suas vigas baixas e chão nu..."
O
segundo andar na agora chamada Missão
de Fé Apostólica abrigava uma oficina e quartos para vários
residentes como Seymour e sua nova esposa, Jennie. Também tinha uma grande sala
de oração para atender o excesso dos serviços do altar de baixo. A sala de
oração estava decorada com cadeiras e bancos feitos de tábuas do California
Redwood, postos de ponta a ponta com cadeiras sem encosto.
Em
meados de maio de 1906, entre 300 e 1.500 pessoas tentaram se
acomodar no edificio. Visto que os cavalos tinham recentemente saído do
edificio, as moscas constantemente molestavam os assistentes. Gente de uma
diversidade de antecedentes, se reuniam para adorar: homens, mulheres,
crianças, negros, brancos,latinos, asiáticos, ricos, pobres, iletrados, e letrados.Pessoas de todas as idades
ajuntaram-se em Los Angeles com tanto ceticismo e desejo de participar. A
mistura de raças e a motivação do grupo de mulheres na liderança foi notável,
já que 1906 foi o apogeu da "era Jim Crow" da segregação racial, e
quatorze anos antes das mulheres receberem o sufrágio nos Estados Unidos.
Serviços
e cultos
O
culto na rua Azusa 312 era frequente e espontâneo, com serviços em quase todas
as horas. Entre os que foram atraídos ao avivamento não só estavam os membros
do Movimento de
Santidade, mas batistas, menonitas, quakers e presbiterianos.
Um observador de um
dos serviços escreveu estas palavras:
“
|
Nenhum instrumento músical foi usado. Pois não eram necessários.
Nenhum coro de anjos foi ouvido por alguns no espírito. Nenhuma oferta foi
recolhida. Nenhum anúncio foi escrito para anunciar as reuniões. Nenhuma
organização eclesiástica estava por trás disso. Todo aquele que está em
contato com Deus logo que entra nas reuniões percebe que o Espírito Santo é o
líder.
|
”
|
O Los Angeles Times não foi tão
gentil em sua descrição:
“
|
As reuniões se realizam num barraco condenado na rua Azusa, e os
partidários desta estranha doutrina praticam os mais fanáticos ritos, pregam
as teorias mais loucas e eles mesmos funcionam num estado de louca excitação
em seu zelo peculiar. Gente de color e uns quantos brancos compõem a
congregação, e a noite se torna horrorosa no bairro por causa dos uivos dos
fiéis, que passam horas se balançando para frente e para trás numa
exasperante atitude de oração e súplica. Eles dizem ter o "dom de
línguas" e ser capazes de entender este babel.
|
”
|
Charles
Parham também foi afiado em sua crítica:
“
|
Homens e mulheres, brancos e negros, se ajoelham juntos ou caem uns
sobre os outros; uma mulher branca, talvez com riqueza e cultura, podia se
ver lançada aos braços de um 'homem negro', e permanecia firmemente assim se
estremecendo e sacudindo em uma louca imitação do pentecostes. Horrível, uma
vergonha terrível !
|
”
|
A
primeira edição da Fé Apostólica afirmou uma reação comum para
a revitalização dos visitantes:
“
|
Pregadores orgulhosos e bem vestidos vem para 'investigar'. Logo o seu
aspecto importante é substituído com assombro, então vem a convicção, que
muitas vezes num curto espaço de tempo você irá encontrá-los chafurdando no
chão sujo, pedindo perdão a Deus e se tornando como criançinhas.
|
”
|
Entre
relatos de primera mão estavam testemunhos de cegos tendo sua visão restaurada,
doenças curadas instantaneamente, e imigrantes falando em alemão, yiddish, espanhol e todos falando em seu
idioma natal para membros negros sem educação, que traduziam para o inglês por
uma "capacidade sobrenatural".
Cantavam
esporadicamente em uma capela ou de
vez em quando em línguas. Havia períodos de silêncio prolongado. Assistentes
ocasionalmente caiam no Espírito.
Os visitantes davam seu testemunho, e membros liam em voz alta os testemunhos
que eram enviados para a missão por correio. Havia oração pelo dom de línguas.
Havia oração em línguas pelos enfermos, pelos missinário, e todas as petições
eram apresentadas por assistentes ou enviadas por correio. Havia pregação
espontânea e apelos ao altar para salvação, santificação e batismo no
Espírito Santo. Lawrence Catley, cuja família participara do
avivamento, disse que na maioria dos serviços a pregação de Seymour consistia
em abrir a Bíblia e os adoradores vindo à frente para pregar ou testificar como
eles foram guiados pelo Espírito Santo. Muita gente continuamente gritava
durante as reuniões. Os membros da missão nunca tomaram uma oferta, mas havia um recipiente perto da
porta para qualquier pessoa que quisesse apoiar o avivamento. O núcleo básico
da Missão da rua Azusa, nunca foi muito mais que 50-60 indivíduos, com centenas
e milhares de pessoas que visitavam ou que permaneciam temporariamente ao longo
dos anos
Bibliografia consultada :Bartlemam, Frank. (A HISTÓRIA DO AVIVAMENTO AZUZA )

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